~ Tuesday, September 27 ~
Permalink

Dez Notas Tardias Sobre a América

1: meninas de micro saia no central park. a promised land is a impossible land.e o resto é uma canção do buddy holly.

2: em washington, uma vocalista nota sete ganha dois pontos durante uma cover de wicked game. faça as contas e lembre-se: 2+2=5.

3: pôr do sol em staunton, virgínia. o que é mais bonito do que um mundo que não está mais aqui?

4: em shelby, mississippi, fica o banheiro mais sujo do planeta. e nem me peçam pra falar sobre a “shelby situation”.

5: bourbon street, nova orleans - porto seguro para tiozões com mais de sessenta anos. você sabe o que quero dizer?

6: dallas, menina de quinze anos dançando tv on the radio. o futuro é um lugar de esperança porque não estou nele.

7: eu achei que estava morto, mas era apenas a estrada entre dallas e amarillo.

8: gallup (novo méxico) e williams (arizona), o passado continua. lide com isso, forever 21!

9: em las vegas, ao som de “creep”, o mundo faz um sentido de destroçar o coração.

10: sunset boulevard ao anoitecer - o que mais é preciso saber sobre ir embora?


 ()
~ Saturday, September 24 ~
Permalink
Santa Monica Pier, LA: Mission Accomplished

Santa Monica Pier, LA: Mission Accomplished

Tags: los angeles
3 notes  ()
~ Thursday, September 22 ~
Permalink
Estou no lucro! Vou parar… Ah, vou jogar mais um pouquinho…
— Novo viciado em Vegas…

 ()
Permalink

American Girls: Tennesse

Durante a travessia pelo Tennesse, a mais desoladora visão começou com uma pick up caindo aos pedaços que, enquanto abastecíamos, estacionou junto a um destes ermos postos de gasolina. Quem dirigia o veículo era uma menina com alguma beleza preservada no seus olhos claros e no rosto de traços ainda delicados. Ela vestia um jeans puído, um t shirt brsanca sem estampa, e tinha a pele coberta de enormes tatuagens: a já clássica imagem da menina-problemática-sensível-nascida-no-seio-de-uma-família-white-trsash-que-namora-algum-troglodita-que-está-em-liberdade-condicional, clichê que apenas se confirmou quando a primeira atitude da garota após descer do carro foi acender um cigarro, tragar e, após exalar a fumaça, olhar ao redor, os olhos de um azul áspero quebrados pela claridade do sol refletido pela estrada vazia. Em todos os seus gestos, eu percebia (ou obrigava-me a perceber) uma mistura de dureza e desolação, como se ela soubesse (ou eu soubesse por ela) que a vida nunca mais seria do que raiva e tédio alternados por hiatos de algum sentimento mais límpido, talvez ternura, talvez amor, talvez algo calmo e doloroso percebido durante a audição de alguma canção de amor ou durante a morte de algum animal de estimação ou coisa parecida. Depois, confirmando o que me parecia tão tangível e inevitável e no entanto tão esvaziado de realismo como qualquer visão que se aproxima do ideal de qualquer coisa, vi sair da pick up uma menina de seis ou sete anos, cabelos loiros, olhos de um azul ainda cristalino, o tipo de criança que poderia estar em qualquer peça publicitária old school ou em qualquer releitura de peça publicitária destinada a destruir o american way of life.

Foi no final deste mesmo dia que chegamos a Nashville, tida como a capital da música country dos Estados Unidos. No albergue em que pretendíamos nos hospedar, não havia vagas, de modo que nos foi recomendado que tentássemos hospedagem numa guest house a poucas quadras dali. Para lá seguimos, alheios ao fato de que ingressávamos no campus da metodista e centenária Vanderbilt University. A primeira reação foi de espanto: ainda não sabíamos onde estávamos; a arquitetura e o silêncio ao redor eram indicativos de que havíamos acabado de ingressar em algum complexo religioso, e a hospitalidade com que fomos recebidos e o baixo preço cobrado pelos hospedagem incutia, em todos nós, a certeza de que no meio da noite seríamos surpreendidos por algum pastor apocalíptico. 

De todo modo, a falta de opções foi decisiva para que ficássemos por ali mesmo. Uma hora depois de instalados, já saíamos para conhecer a noite da capital caipira da América, pois sim, se alguém quisesse salvar as nossas almas o mínimo que podíamos fazer era perdê-las em alguma noite de sábado. Já na Broadway, avenida de Nashville que reúne todos os bares da cidade, as músicas saídas de cada estabelecimento misturavam-se, formando uma pesada massa sonora. Nas calçadas repletas de gente, rapazes idiotas e bêbados urravam, enquanto grupos de meninas seguiam risonhas e frenéticas durante despedidas de solteira, sendo que todas as noivas nunca pareciam ter mais do que vinte anos de idade, o que me trouxe aquela sensação de vida tacanha que se repete geração após geração. Ainda vale ressaltar que a América é um lugar estranho quando o assunto é diversão: os rapazes beberrões e idiotas sequer tentavam uma interação mais objetiva com as meninas, enquanto as garotas nas despedidas de solteira contentavam-se em ir de bar em bar, onde dançavam pudicamente com estranhos, riam, falavam asneiras, e então seguiam para o próximo bar. 

A nossa noite, devo dizer, não foi muito mais inconsequente do que os comportamentos acima relatados. Três bares, duas cervejas tomadas em cada um desses bares, e depois o retorno. Pelo menos, se algum pastor tentasse salvar a nossa alma durante a madrugada, nos encontraria bêbados e não ficaria tão decepcionado com a nossa inaptidão para o pecado. Mas sequer isso aconteceu: a madrugada transcorreu na mais perfeita calma e eu dormi como um tolo ungido ou esquecido pela glória divina. A manhã de domingo começou ensolarada, e uma breve caminhada pela vizinhança em busca de algum lugar para o café da manhã trouxe algumas respostas: enfim percebemos que perambulávamos por um campus universitário, enfim percebemos que havíamos nos hospedado em algum alojamento estabelecido com base nos insondáveis princípios da fraternidade luterana. Na busca pelo café,  primeiro ingressamos num lugar que parecia uma cafeteria, mas que se revelou uma galeria de arte. Telas à la Pollock eram vistas na parede e não havia sequer uma viva alma nos estúdios. De repente, um suave tilintar de sininhos indicou que uma porta era aberta e surgiu uma garota de loiros cabelos curtos, olhos azuis e pacíficos, de gestos, postura e semblante tão lapidados quanto os gestos e postura e semblantes percebidos nas melhores filhas do Brooklyn. Ela perguntou o que queríamos. Falamos sobre a nossa intenção de ter um café das manhã, e então ela praticamente implorou para que esperássemos ela passar o café e abrir a cafeteria. Mas o tempo urgia e não podíamos esperar, pois sim, o tempo sempre urge diante da beleza mais inesperada e mais inata.

Desta galeria de arte-cafeteria seguimos para um Starbucks situada a poucas quadras dali. Desnecessária a descrição do lugar, afinal de contas, a descrição de uma Starbucks é a descrição de qualquer Starbucks. O que percebi de diferente foi a estranha movimentação do lugar para uma manhã de domingo. Todas as mesas e sofás estavam ocupados por jovens, a maiorias vestidos com agasalhos da Vanderbilt University, e quase todos diante de cadernos com as mais variadas anotações ou computadores portáteis, todos apressados para a conclusão de algum trabalho. Perto de onde conseguimos lugar, tomava café uma garota que não aparentava ter mais do que 20 anos, cabelos curtos com uma madeixa que lhe caía sobre as faces e que ela, de tempos em tempos, pousava atrás da orelha, óculos que apenas ressaltavam os delicados traços do seu rosto, olhos alegres e acesos, tão tangível e no entanto tão diferente de qualquer garota que eu julgava encontrar na capital do Tennesse, e de um realismo tão falho e por isso tão perturbador quanto o da garota encontrada no posto de combustível. Lá fora o domingo seguia calmo, alternando luz cristalina e sombras projetadas pelas árvores de copas frondosas, tudo isso para dizer: Tennesse, sábado e domingo, 10 e 11 de setembro, um lugar onde eu nunca havia estado antes e para o qual eu não voltaria a retornar.


 ()
~ Wednesday, September 21 ~
Permalink
“Tem Wi-Fi aqui?”

“Tem Wi-Fi aqui?”

Tags: grand canyon puteiro
2 notes  ()
Permalink Tags: supersize me
 ()
~ Tuesday, September 20 ~
Permalink
[Flash 10 is required to watch video]

Cantores no Big Texan Steak Ranch, Amarillo (Texas), lar do steak de 1,5 kg…

Tags: Amarillo supersize me texas
9 notes  ()
~ Monday, September 19 ~
Permalink

Super Size Me 3

Costelinha de porco no Abe’s, em Clarksdale, no Delta do Mississippi:

Gumbo no Coop’s Place, em Nova Orleans:

Camarões com batata doce no St. Petter, em St. Martinville, interior da Louisiania:

Tags: nova orleans supersize me
 ()
Permalink

If you ever plan to motor west,
Travel my way, take the highway that is best.
Get your kicks on route sixty-six.

It winds from chicago to la,
More than two thousand miles all the way.
Get your kicks on route sixty-six.

Now you go through saint looey
Joplin, missouri,
And oklahoma city is mighty pretty.
You see amarillo,
Gallup, new mexico,
Flagstaff, arizona.
Don’t forget winona,
Kingman, barstow, san bernandino.

Won’t you get hip to this timely tip:
When you make that california trip
Get your kicks on route sixty-six.

Solo

Won’t you get hip to this timely tip:
When you make that california trip
Get your kicks on route sixty-six.
Get your kicks on route sixty-six.
Get your kicks on route sixty-six.

Tags: route 66
1 note  ()
~ Sunday, September 18 ~
Permalink

American Girls: Staunton

Staunton, no estado da Virgínia, é uma das poucas cidades do sul que não foi devastada pela Guerra de Secessão. Quando lá chegamos, o sol começava a se esconder atrás dos prédios, alongando as sombras que se projetavam sobre a calçada. Para além das construções antigas, com os seus prédios de três e quatro andares e cartazes publicitários estacionados no tempo e cinema dos anos 50 que repetem ad infinitum um espírito à la última sessão de cinema, logo ficou nítido que se tratava de uma pacífica comunidade. Perto de algo que identifiquei como o campus de uma enorme escola, um grupo de meninas jogava futebol. Em outra esquina, vi um grupo de jovens andando de patins. As ruas eram todas limpas e quase que vazias. O plano era perambular sem rumo pelo centro histórico da cidade e depois comer um hambúrguer no Wrights, o que foi cumprido. Quando saímos da lanchonete, o sol já havia caído e o que havia de luz era uma penumbra abrasada. 

Era hora de partir, mas antes um último ritual: beber um café. O lugar foi escolhido mediante um critério simples: entramos na primeira cafeteria que avistamos. Um lugar enorme, mas decorado segundo um ideal de modernidade que servia como um contraponto ao distrito histórico da cidade. Se é permitida uma comparação arriscada, diria que é uma cafeteria que lembra a Central Perk. Quando entramos, a solitária balconista acabava de servir um casal de jovem moradores da cidade e fazia brincadeiras com a criança de cinco ou seis anos que os acompanhava, tudo a reforçar uma idéia de universo onde todos se conhecem.

A solitária balconista era uma garota com pouco mais de vinte anos, pele clara, cabelos loiros vagamente ondulados que ela prendia com um laço, e olhos de um azul mais do que claro: pálido, o que conferia ao seu semblante um ar de singela introspecção misturado com aguda curiosidade - o tipo de menina que pode ser vista no Museu D’Orsay, com um bloco de desenhos na mão, a esboçar os traços do quadro ou da estátua que tem diante de si. E uma rapariga com olhos tão atentos, obviamente, ficou bastante instigada com a nossa chegada. Nada disse, sequer perguntou de onde éramos, para onde íamos, ou o que fazíamos naquela cidade. Apenas permitiu que o assombro de seus olhos se abrisse, e quanto mais eu a olhava mais transparente parecia o seu rosto e mais ela anoitecia junto com a cidade, tão bonita e tão solitária como os prédios de três e quatro andares e os cartazes publicitários antigos e o néon de cinema onde já foram exibidos filmes estrelados por Lauren Bacall. Staunton, esplendor sulista não destruído pela Guerra. Staunton e a sua perpétua última sessão do cinema com meninas bonitas que anoitecem na platéia, e talvez, para algumas dessas meninas bonitas, quem passe e não fique seja de uma irrealidade tão real quanto o viajante que vai para Sintra, no famoso poema de Álvaro de Campos:

 À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto. 
 A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha. 
 Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz. 
 Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima 
 Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.   
 Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha 
 No pavimento térreo, 
 Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga, 
 E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.   
 Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?


 ()
Permalink
[Flash 10 is required to watch video]

Honky Tonk em Nashville.

Tags: nashville show
5 notes  ()
Permalink
[Flash 10 is required to watch video]

Parados na Skyline Driveway.

Tags: skyline drive
 ()
~ Saturday, September 17 ~
Permalink
[Flash 10 is required to watch video]

Show do Widowspeak, em Washington.

Tags: washington
3 notes  ()
~ Friday, September 16 ~
Permalink
Dallas, na frente do prédio de onde partiu o tiro que atingiu o Pres. Kennedy.

Dallas, na frente do prédio de onde partiu o tiro que atingiu o Pres. Kennedy.

Tags: dallas
 ()
Permalink
A América é pra homens, não pra vegetarianos.
— Frase proferida na frente de um gigantesco lanche de porco defumado.
Tags: supersize me
 ()